Acordei, me vesti,
escovei os dentes: 15min p/ tomar café – apressa! Sentei para degustar minha
torrada, olhei o morro e comecei a pensar: “como o cerne das nossas vidas
muitas vezes é atingir expectativas alheias”.
Desde a infância nos
ensinam a obediência, nos ensinam a fazer o que é “certo”. Mas de quem é a
certeza? De onde vem?
Não costumam perguntar
como nos sentimos fazendo o que é “certo”.
E assim crescemos,
cheios de contragostos, de gostos inventados e impostos.
Impostos altos por
sinal, que pagamos por esses gostos que nem gostamos.
Aí o “Certo”, que
disse com quais brinquedos podíamos brincar (menino, carrinho; meninas, boneca),
a cor de roupa que deveríamos usar (meninos, azul; meninas, rosa), foi ficando cada
vez mais exigente, querendo mandar nos nossos relacionamentos, profissão; foi
exigindo casa, carro, filhos, viagens caras, corpo escultural, rosto sem rugas.
Mas quem é esse tal “certo”? Que não aceita a imperfeição inerente a condição
humana? Que não aceita a diferença, maior beleza da nossa espécie? Que sufoca a
liberdade?
Que “certo” é esse?
Que vem como uma avalanche, soterrando nossas vontades verdadeiras, nosso choro
e nosso riso, nossa compaixão.
Porque nos
subordinamos, reduzindo nossa existência a uma tentativa constante de atingir
expectativas de valor questionável?
Vejo nos olhos das
pessoas “o amor reprimido”, “o grito contido”,”o samba no escuro”. Meus olhos
também cantam assim.
Mas o ruído da cidade
grande abafa essa melodia, nos mantendo presos: no trânsito, no trabalho, no
shopping; reféns do medo de nós mesmos e do que pode acontecer se voltarmos a
pensar... O relógio marca 7:30h, hora de
sair.