4 de abr. de 2020

Consciência

Em tempos de pandemia, quarentena, muito se vê, muito se ouve do mundo externo, jornais, redes sociais, amigos, colegas, todos tem uma informação, um dado novo, as orientações mudam o tempo todo. 
O mundo interno começa a sofrer, pensamentos desordenados, ansiedade, preocupação. 
O universo lá fora parece estar, de alguma forma, se regenerando das feridas que criamos: menores níveis de poluição, melhor qualidade do ar, arvores frutíferas frutificando nas ruas...
E o universo interno, essa rede complexa de pensamentos, sentimentos, emoções: a força motriz desse agregado de carbono que nos dá forma?
Nos últimos dias, de alguma forma, sinto como se estivesse com os sentidos mais aguçados, inclusive a intuição, ou "sexto sentido". Respondi com facilidade algumas questões que vinham permeando meus pensamentos há tempos, percebi características sobre mim mesma que até então não havia percebido ao longo dos meus 30 anos de vida. 
E não estou de quarentena, não posso usar esse pretexto de estar mais tempo em casa, usando esse tempo para refletir e meditar. Estou trabalhando bastante, e com milhares de situações para resolver, rotinas novas para aprender. 
Creio que é algo com a energia do planeta, com a nossa energia. Algo está diferente. 
Nos últimos dias percebi claramente a presença dos meus mentores, mais de uma vez, e tive a certeza de estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. Uma sensação de propósito e pertencimento, que até então não lembro de ter experimentado. Uma sensação de que realmente nada é por acaso. 
Penso que a grande lição dessa pandemia para nós é sobre viver o presente. É clichê, eu sei. Muito se fala atualmente sobre isso, sobre mindfullness, etc. Mas fato é que a maioria das pessoas que conheço, inclusive eu, claro, tem muita dificuldade de por em pratica esses conceitos no dia-a-dia. Nossas mentes, "bombardeadas" constantemente com informações (a maioria inutil) e gerando as mais diversas demandas, encontra dificuldades em se libertar dessas amarras. 
E eis que vem uma situação que nos força a isso, sob pena de perder completamente a sanidade mental. 
E uma sequencia de acontecimentos te mostra que tudo faz sentido, tudo está acontecendo exatamente da forma como deveria ser; e teu ser se enche de paz e confiança. 
Por que, de repente, eu fui inundada desse sentimento de pertencimento e compreensão? Porque nesses últimos dias eu precisei aprender a estar PRESENTE! 
Não conseguiria trabalhar se eu ficasse o tempo todo pensando nos números da infecção, no que poderia acontecer a mim ou meus familiares se contraíssemos a doença, no que vai ser do país, da economia, das minhas próprias finanças e da minha família, ou questionando se a melhor forma de se proteger é A ou B. Nos primeiros dias foi assim, e me senti completamente esgotada! Pensei: não dá. E com mil novidades para aprender e problemas para resolver, definitivamente não dava. Não tinha outra saída se não "prestar atenção" (e como é dificil para mim!), e para isso, precisava estar presente, integralmente, e assim tenho tentado agir nos últimos dias. 
Não tenho feito nada alem de ir ao trabalho e voltar para casa, e nesse "indo e vindo infinito" tenho contemplado paisagens lindas que nunca havia reparado, gestos cheios de amor que eu não percebia, tenho descoberto muitas competências em mim, das quais não tinha consciência; e muitos defeitos também. Essa sensação de estar exatamente onde deveria, me faz agradecer ao passado, por me tornar quem sou e me desprender dele também, pois já não sou mais o que eu era. E me faz olhar para o futuro como um resultado do que sou hoje. Por isso, quero ser o melhor possível hoje, e só.