10 de mai. de 2022

Impermanência

Escuro sol da minha solidão 

Não posso ver o que é em vão

Em tua sabedoria aprendo o que já sei

O tempo passa

Os olhos abrem

As cortinas fecham 

E num aplauso silencioso,

Inicia outro espetáculo.


Inspirado em um paciente - de tantos - que vi abandonado, cego, tetraparético, acamado e lúcido, completamente dependente de cuidados de pessoas desconhecidas, dentro de um hospital igualmente desconhecido, um tanto próximo da morte. Fiquei imaginando o tamanho da sua solidão e da lucidez que deve ter conquistado nesse período, enxergando o que não pode ser visto, a essência, a verdade da impermanência, e se libertando para um novo espetáculo.

27/12/2018

Dança

 Sopram ventos de mudança por aqui: que me tragam ondas boas, que deixem areia firme e levem tudo que não for meu. 

Foram dois anos de muito e pouco, direita e esquerda, água ou fogo. O caminho do meio foi uma corda bamba da qual eu caí diversas vezes. 

Esse tempo (ou a falta dele) me fez perceber a importância de alguns momentos de ócio para organizar os pensamentos e emoções; para criar, escrever, cozinhar... Chega de adiar planos antigos esperando o momento ideal que nunca chega. 

Não é sobre largar tudo. É sobre largar o que sobra e gera tanta falta na vida. É sobre priorizar o essencial, porque esse excesso de bagagem custa caro.  É sobre deixar para trás um pouco de certeza e apostar na intuição, sobre assumir riscos e mais uma vez dançar com o desconhecido... Se ele vai me pegar no colo ou pisar no meu pé só o tempo dirá. Enquanto isso, eu aprecio cada acorde dessa música.