10 de mai. de 2022

Impermanência

Escuro sol da minha solidão 

Não posso ver o que é em vão

Em tua sabedoria aprendo o que já sei

O tempo passa

Os olhos abrem

As cortinas fecham 

E num aplauso silencioso,

Inicia outro espetáculo.


Inspirado em um paciente - de tantos - que vi abandonado, cego, tetraparético, acamado e lúcido, completamente dependente de cuidados de pessoas desconhecidas, dentro de um hospital igualmente desconhecido, um tanto próximo da morte. Fiquei imaginando o tamanho da sua solidão e da lucidez que deve ter conquistado nesse período, enxergando o que não pode ser visto, a essência, a verdade da impermanência, e se libertando para um novo espetáculo.

27/12/2018

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