Não era tempo que faltava?
O tempo passa
Quem falta somos nós
Faltamos à festa, ao almoço com a família
Faltamos ao café com amigos
Faltou o abraço, a palavra de consolo,
o colo, a poesia
Faltou celebrar as pequenas vitórias,
O corpo, nossa única morada permanente
(ao menos nessa jornada)
Faltamos ao médico, ao dentista, à academia
Só não faltamos ao trabalho
Falta amor, falta compreensão, falta compaixão...
Falta o ar
O tempo?
O tempo acabou.
Trabalhar com pessoas em processo de terminalidade, inevitavelmente me faz pensar sobre a vida, o tempo, que na verdade são sinônimos. Fala-se em "tempo de vida", redundância pura.
A pergunta que mais escutamos é "quanto tempo de vida eu tenho?" mas na verdade o mais apropriado seria perguntar "quanta vida cabe no meu tempo?"
Trabalhar com doentes graves, com doenças ameaçadoras da vida, e muitas vezes em estágio já avançado me faz testemunhar aquela verdade que todos sabem: o ar vai faltar um dia e aí sim, acabou o tempo. Antes disso o tempo (e a vida) estão acontecendo...
E nós estamos fazendo o que com eles?
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