Toda vez escuto essa musica, lembro da onda subindo e lavando/levando tudo, bolsa, chapéu, canga. A fome lembrando que já passou do meio dia. Ah, que saudade desses dias de praia, que saudades de mim.
Parece um discurso romântico quando falo que sinto falta de estar perto da natureza, do mar principalmente; que adoeço na cidade grande (não apenas eu), mas é verdade. Como diria meu amado Galeano "faltou nos 10 mandamentos: honrai a natureza da qual fazes parte". Somos parte desse organismo gigante, que chamamos Terra, como orgãos de um corpo. Precisamos funcionar orquestradamente ou colapsamos todos juntos. Falta esse senso de unidade em todos os aspectos recentemente. Ao contrario, temos cultivado a individualidade, que não existe nem mesmo dentro de nosso corpo, de nossas células, que precisam de cada molécula, cada organela celular funcionando sincronizadamente para que possamos existir.
Cada vez menos conhecemos as pessoas, nem mesmo as que residem ou trabalham conosco as vezes, porque não nos interessa. Trabalhamos com conceitos como "empatia" em medicina: colocar-se no lugar do outro, sem julgamentos, para então tentar compreender e auxiliar. Mas ao mesmo tempo entre colegas e superiores esse conceito não é aplicado. Tenho plena certeza que meus chefes não me conhecem, tampouco eu os conheço. Não nos olhamos como seres humanos em primeiro lugar, com historias, experiencias, culturas, gostos, qualidades, dificuldades e defeitos diferentes, não nos encantamos com as infinitas possibilidades de troca, de aprendizado, de prazer que relações humanas verdadeiras podem trazer. Estamos mais preocupados com os nossos problemas, as nossas tarefas e queremos do outro apenas que ele corresponda as nossas expectativas. Nos olhamos como chefes e subordinados. O que há por trás dessas funções ninguém sabe. Não há interesse. Ou melhor, há apenas interesse.
Não tenho problema nenhum em exercer minha função, em conviver com os pacientes, ao contrario, na maior parte do tempo é meu alento, é onde sinto mais humanidade e mais verdade. Mas conviver com alguns colegas e chefes pode ser um tanto árduo; pelo vazio de uma relação onde ninguém fala e ninguém escuta mas todos esperam o seu melhor do outro. Eis a receita para transformar garoas leves em tempestades.
Então de vez em quando bate essa saudade, de tarde, que nem maré, da minha gente simples, da minha paz, da eterna morada do meu espirito, o mar...
Nenhum comentário:
Postar um comentário