Esses dias eu passei pela Av João Pessoa e lembrei da minha
mãe: na época da matricula da faculdade ela veio comigo porque eu não conhecia
quase nada em Porto alegre e nunca tinha andado sozinha por aqui. Um dia pegamos
uma “lotação” (nem lembro de onde para
onde) e ela foi me mostrando e falando sobre alguns lugares em Porto Alegre, me
dando dicas sobre transporte e tudo mais... Até que passamos pela Av João
Pessoa, direção centro-bairro e ela diz: “aqui à direita é a Cidade Baixa, é o
bairro boêmio, tem um monte de barzinhos e festas... Tu vais andar por aqui”.
Acho que ela falou isso porque era próximo a faculdade e caminho para a casa da
minha vó. Mas foi tão verdade que metade de mim é constituída de Xis do
Cavanhas.
Esses dias perdi uma ligação importante no celular: quase
pude escutar a voz da minha mãe no dia que eles foram atrás de mim numa festa
junina após incontáveis ligações perdidas porque eu não vi o celular dizendo “vamos
Juliana”. Lembrei: não é de hoje.
Quando chego de madrugada as vezes lembro da minha mãe
dizendo “meia noite em casa!” quando eu pedia para ir no Alemão Nei (sim, entregando
a idade).
Quando penso em ter filhos vem a imagem de nós três jogando “Ludo”
de noite, com pedrinhas e conchinhas, ou canastra ou “rouba monte”. Eu amava! E
hoje penso, “puxa vida, devia ser bem chato para eles mas eles pareciam
felizes.. hahah”. Moral da história: enquanto eu não me sentir disposta a jogar
“Ludo” ou “rouba monte” de noite, mesmo querendo ficar quieta vendo um filme ou
ouvindo musica, não vou ter filhos!
Toda vez que vejo um boneco “Ken” lembro do meu Ken, que era
um transexual surfista.
Quando eu pedi um Ken para minha mãe na hora ela pegou uma “Susi”
de plástico que eu tinha, amassou os peitos dela, cortou o cabelo, desenhou uma
barba e em seguida ele apareceu com uma regata improvisada se apresentando como
surfista. Problema resolvido.
Minha mãe sempre conta que quando estava grávida não quis
saber o sexo do bebê (embora sua intuição dizia que era menino, intuição de mãe
sabe.. hahah), porque não importava, e meu enxoval seria em cores “neutras” –
amarelo, branco, verde. Mas eis que eu fui batizada de azul. Quando percebi a “incoerência”,
afinal eu era menina e estava de azul no batizado (que é o maior evento da vida
de um bebê de três meses), perguntei para minha mãe porquê: e ela “sei lá
Juliana, era o tip-top mais bonito que tu tinha, e azul é uma cor linda”.
Acho que ela me conhecia bem, porque azul sempre foi e
continua sendo minha cor favorita (desculpa querida Damares – só para deixar
claro, foi uma ironia).
Quando quebra alguma coisa na minha casa e penso em ficar
triste, lembro da pilha de pratos que eu quebrei e das duas mesas de vidro
quebradas na minha casa e da reação da minha mãe a todas essas “perdas”: risadas
e qualquer exclamação como “festa” ou “não há de ser nada”. Nem por meio minuto
ela endurecia o semblante por isso. Nem por qualquer coisa material: rasgou a
blusa, perdeu a jaqueta, manchou a calça... Tanto faz “vão-se os anéis, ficam
os dedos”.
Mas se eu deixasse de ser cordial com as pessoas, de sorrir,
de ser prestativa ela me repreendia. E como me orgulho disso! Tenho muito
orgulho de saber que para os meus pais, o mais importante (mais do que qualquer
coisa) é que eu seja uma boa pessoa. Nunca fui cobrada em termos materiais.
Adoro que a gente tem o mesmo gosto para sapatos e um pé
quase do mesmo tamanho. Adoro também quando ela compra roupas para mim diferentes
das que ela gosta e diz “essa ta linda para ir trabalhar, sóbria”.
Adoro quando ela me da os brincos pequenos: “pega esses, tu
que gosta”. Adoro que ela me ensinou a usar colares e panos coloridos no
pescoço, embora de maquiagem a gente não entenda muito.. heheh
Não sei se ela faz idéia do quanto ela está presente na
minha vida! Não tem dia que eu não pense nela, que eu não lembre de algum fato que
vivemos juntas, de algum ensinamento ou qualquer coisa do dia-a-dia. Quando precisa
decidir algo, tem que passar por ela, tem que saber a sua opinião. E às vezes
ela me surpreende.
A vida é feita de presente e de presença; e só vivendo dessa
forma, conseguimos construir boas relações, boas memórias, bom caráter. É o
conjunto do que fazemos todos os dias com o passar do tempo que nos faz ser
mais ou menos marcante, mais ou menos importante. E por isso, sou grata à minha
mãe. Pela sua PRESENÇA na minha vida em todos os momentos, desde sempre.
Te amo infinita e incondicionalmente todos os dias
!
Amei minha filha. Vc é tudo pra mim 😍
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